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Um estudo publicado na Nature Communications demonstra que alterações prolongadas na circulação oceânica do Atlântico Norte podem favorecer a acumulação de calor no oceano, amplificando o degelo das grandes calotes de gelo e acelerando episódios extremos de subida do nível do mar. Os resultados fornecem novas perspetivas sobre a interação entre o oceano e o clima, com implicações para a compreensão das alterações climáticas passadas e futuras.
 
 

Um novo estudo baseado em sedimentos marinhos recolhidos ao largo de Portugal, durante a Expedição 397 do International Ocean Discovery Program (IODP), revela que há cerca de 2,7 milhões de anos o clima da Terra entrou num período de forte instabilidade. Os testemunhos sedimentares obtidos a sudoeste de Lisboa permitiram reconstruir a história climática dos últimos 5,3 milhões de anos com uma resolução excecional, mostrando o início de oscilações climáticas rápidas durante os períodos glaciares - um verdadeiro “flickering” climático. Os resultados sugerem que o crescimento dos mantos de gelo no Hemisfério Norte e a sua interação com o oceano poderão ter desestabilizado a circulação do Atlântico Norte, desencadeando mudanças abruptas no clima. Curiosamente, esta fase coincide com o aparecimento do género Homo em África, levantando a hipótese de que ambientes altamente variáveis possam ter influenciado a evolução humana.

Mais informações:
https://www.cam.ac.uk/research/news/flickering-glacial-climate-may-have-shaped-early-human-evolution

                                
                                                                        © Foto: Carlos Alvarez Zarikian