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PAPEL DA CIRCULAÇÃO OCEÂNICA EM EVENTOS EXTREMOS DE SUBIDA DO NÍVEL DO MAR

29 junho, 2026


PAPEL DA CIRCULAÇÃO OCEÂNICA EM EVENTOS EXTREMOS DE SUBIDA DO NÍVEL DO MAR


Um estudo internacional publicado na revista Nature Communications apresenta uma nova explicação para um dos episódios mais rápidos de subida do nível do mar registados durante as transições climáticas do passado. Entre os autores encontra-se Teresa Rodrigues, membro da APOCEAN e investigadora do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve.






Liderado por Hsun-Ming Hu (Chinese Academy of Sciences e National Taiwan University), o estudo analisou a Terminação IV, ocorrida há cerca de 340 mil anos, quando a Terra transitou de um período glaciar para um clima mais quente semelhante ao atual. Durante este intervalo, o nível médio do mar aumentou a uma velocidade excecional, atingindo cerca de cinco metros por século.

Combinando registos obtidos em formações calcárias de uma gruta no norte de Itália com registos marinhos do Atlântico Norte, incluindo reconstruções da temperatura da superfície do oceano obtidas a partir de biomarcadores preservados em sedimentos da Margem Ibérica, a equipa procurou compreender a origem desta rápida subida do nível do mar.

Os resultados mostram que uma redução prolongada da circulação oceânica no Atlântico Norte persistiu durante aproximadamente 13 mil anos, permitindo a acumulação de grandes quantidades de calor no interior do oceano. Quando a circulação recuperou, esse calor foi libertado para as camadas superficiais do oceano e para a atmosfera, acelerando o degelo das grandes calotes polares e contribuindo para uma rápida subida do nível do mar.

O estudo demonstra que o oceano desempenha um papel ativo nas alterações climáticas globais, funcionando não apenas como um reservatório de calor, mas também como um mecanismo capaz de amplificar os processos de degelo e de subida do nível do mar. Os autores concluem que a duração dos períodos de enfraquecimento da circulação oceânica influencia diretamente a quantidade de calor armazenada no oceano e, consequentemente, a intensidade destes episódios extremos.

As conclusões assumem particular relevância no contexto das alterações climáticas atuais. À medida que o aquecimento global acelera a perda de gelo na Gronelândia e na Antártida e aumenta a probabilidade de enfraquecimento da circulação do Atlântico Norte, compreender estes mecanismos torna-se essencial para melhorar as projeções da futura subida do nível do mar.

A participação de Teresa Rodrigues possibilitou a reconstrução das temperaturas da superfície do oceano no Atlântico Norte, utilizando biomarcadores orgânicos preservados em sedimentos marinhos da Margem Ibérica, recolhidos durante a Expedição Internacional IODP 339.

A APOCEAN congratula a sua associada por mais esta contribuição para o avanço do conhecimento científico sobre o papel do oceano no sistema climático da Terra.

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